Pedagoga, mestre em Educação, especialista em Psicopedagogia e educadora parental @jaque_weiler FOTO de Giza Gervásio
Fazer pela criança aquilo que ela já é capaz de fazer sozinha não é apenas prejudicial para o desenvolvimento. É também uma tarefa que pode esgotar fisicamente e emocionalmente quem cuida e educa. Talvez nunca paremos, de maneira intencional, para refletir sobre uma questão simples e poderosa: como posso contribuir para que meu filho desenvolva um senso saudável de autoconfiança e creia na sua própria capacidade?
Diferente de um bebê, que necessita ter suas necessidades básicas prontamente atendidas para que se construa conexão e apego seguro, uma criança pequena precisa de experiências para desenvolver habilidades de vida importantes.
A ideia não é que a criança sofra ou fique imersa em suas frustrações. Mas compreender que permitir pequenas doses de desapontamento contribui significativamente para que ela aprenda a se ajudar e a sair por conta própria do lugar da decepção.
Vivemos o fenômeno dos calçados sem cadarço.
Quem tem tempo de ensinar a arte de amarrar cadarços? Quem quer que o filho se frustre na escola por não saber realizar essa tarefa? Então optamos por eliminar os riscos e compramos tênis sem esse artefato, ao invés de proporcionar experiências que desenvolvem competência.
É um exemplo simples, mas há outros: vestir crianças que já dariam conta sozinhas, alimentá-las, carregar seus pertences. A correria do dia a dia leva mães e pais a realizarem essas tarefas numa velocidade que impede qualquer ensino ou aprendizagem.
Mas, e a longo prazo? Como esperamos que as crianças tenham confiança nas suas capacidades se nunca lhes foi dada a oportunidade de descobrir que são capazes? Como lidarão com a frustração de errar enquanto aprendem se nunca se frustram?
É preciso entender o papel formativo do erro. Ele é uma ótima oportunidade para ensinar habilidades de vida. Mas para isso, é preciso adultos mais presentes e conectados com a tarefa de ensinar.
Quem nunca passa por experiências que o façam acreditar que é capaz de cuidar de si mesmo, que compreendam que o erro é parte do processo, terá dificuldades para desenvolver a coragem necessária para experimentar o novo e assumir riscos na vida adulta.
Uma das coisas mais importantes que os pais podem ensinar é que seus filhos são capazes. A isso chamamos encorajamento.
Ninguém consegue introduzir na mente de outra pessoa o senso de confiança. É a criança que precisa desenvolvê-lo. Isso coloca os pais não na condição de dar, mas de proporcionar experiências para que aprendam. E isso exige, muitas vezes, um exercício profundo de compreender que erros são aceitáveis e que é possível aprender com eles.
Quando os pais erram na tentativa de acertar
Na tentativa de criar filhos com forte senso de capacidade, os pais se equivocam quando elogiam excessivamente, superprotegem ou colocam sobre a criança a responsabilidade de nunca errar e ser sempre a melhor.
Elogiar é bom. Mas você certamente conhece adultos viciados em validação externa. Elogios vazios são um perigo a longo prazo.
A superproteção é o mal do nosso tempo. Criar um filho como se o mundo fosse um lugar muito mais perigoso do que realmente é faz com que as crianças cresçam inseguras e convictas, ainda que inconscientemente, de que não conseguem lidar com problemas ou decepções. E pior: crescem com a sensação de que o mundo lhes deve alguma coisa. O pai ou a mãe que sempre socorre deixa uma mensagem clara: sempre haverá quem te resgate, quem assuma as responsabilidades por você.
Uma das necessidades mais básicas do ser humano é se sentir aceito. Quando os pais cobram que os filhos sejam sempre os melhores e nunca errem, o que é humanamente impossível, podem levar a criança a interpretar que só é amada quando atinge as expectativas. Não há nada mais encorajador do que ter a certeza de que se é amado incondicionalmente, mesmo quando se erra.
O que é possível fazer para encorajar
Elogie o processo e o esforço, não apenas os resultados bem-sucedidos. Demonstre confiança: "vai lá, pode subir nessa torre do parquinho, eu estou aqui perto." Ame seu filho como ele é. Não há nada mais bonito do que amar alguém quando ele menos merece, porque é certamente quando mais precisa.
Entenda que erros são parte inerente da aprendizagem e os utilize para ensinar habilidades de vida. Seja muito paciente com a fase de desenvolvimento em que seu filho se encontra.
Um ambiente onde há amor, firmeza, limites, encorajamento e permissão para errar possibilita que a criança aprenda a acreditar em si mesma e a se recuperar quando experimentar frustração.